movimento 180°
É o quarto deles. Eu me lembro quando meus filhos eram bem pequenos e, enquanto mamavam, passavam a maioria das noites na nossa cama. Eu também lembro da minha alegria quando eles saíam para seus próprios quartos e eu tinha minha cama de volta. Só pra saberem, minha esposa não sentia a mesma coisa. Acho que por ela era algo mais na área de saudade. Agora meus filhos estão um pouco maiores e nós estamos começando a entender que cada um se expressa através de um estilo diferente nos seus quartos. Eu já percebi que lá é o mundo deles e eles são os criadores dos seus mundos, inclusive de como eles enfeitam “seus mundos”. Taylor tem um estilo meio “hippie” e moderno. Tianna gosta tudo cor de rosa, bem estilo “Barbie”, e Jordan é um menino, coisas de esporte, homens de guerra, carros, e uma bagunça de qual a minha esposa não aprova. Interessante que quando nós damos para cada um o seu próprio quarto, ele é dado com um entendimento não falado que eles podem decorar o quarto na maneira que gostam; obviamente nós nos reservamos o direito da decisão final, mas pela maior parte, o quarto é deles. Imagine se eu como pai entrasse no quarto da Taylor que está para fazer 12 anos e começo decorar o quarto dela de uma maneira que eu acho que seria legal para ela. E pior, no estilo dos anos 80 quando eu era jovem. Claro que algumas coisas talvez fossem legais ou no mínimo aceitáveis, mas sem dúvida teria muitas coisas que não iam bater bem com o estilo dela, com o estilo da sua geração. E se eu fizesse algo assim, a maioria dos pais que eu conheço, sem falar dos amigos da minha filha, iam me achar um doido e com problemas de controle.
É entendido que o quarto deles vai refletir o estilo deles, e numa certa maneira, quem eles são.
Para levar um pouco mais além, imagine se eu determinasse o estilo também de música que seria tocada nos seus quartos. A sorte dos meus filhos é que nós curtimos basicamente as mesmas coisas. Mas imagine se eu fosse um pai normal que curtia um som da sua geração e assim eu obrigava meus filhos a curtir também. Que coisa chata. Por obrigação, meus filhos iam curtir. Mas, existe uma grande diferença entre “por obrigação” e “por gosto”. Eles podiam até chegar a um ponto de conhecer as suas letras e cantar comigo, mas o estilo sempre seria algo obrigado a eles. E isto, no raciocínio de qualquer um, seria injusto e errado. Nós, como pais, entendemos que nossos filhos têm suas próprias identidades e gostos, e nós tentamos respeitar essas coisas e encorajar eles de ser quem eles são; individuais.
Então, entendendo isso, deixe-me perguntar: “Isto não é o que nós temos feito com os nossos jovens em seus cultos?” Nós, como os líderes, determinamos como vai ser feito, enfeitado, e o som que vai rolar; geralmente refletindo os nossos próprios estilos e gostos. O estilo, as palavras, e o som nos cultos nomeados erradamente para os jovens são decididos por pessoas que geralmente tem mais do que 40 anos de idade e lembram quando Pelé ainda jogava para o Santos. Mais uma pergunta, “O que uma pessoa, mais do que 20 anos fora da sua juventude, entende desta geração?” Alguns até entendem, mas o estilo careta da maioria dos cultos de jovens prova que a maioria não entende nada. Pelo amor de Deus, vamos ser mais espertos do que isso. Se o culto de jovens é para jovens, será que ele não deve ser feito numa maneira que tem algo a ver com eles e sua geração? Já se perguntou do motivo do número de jovens na igreja ser cada ano menor do que o ano anterior? Ou por que a maioria dos jovens não convida seus amigos incrédulos para os cultos? Meio óbvio, não é? Se eu fosse um jovem hoje em dia, sinceramente, duvido que eu fosse num desses cultos ridículos e chatos que nós vendemos para nossos jovens crentes como algo legal e “da hora”. Perdoe-me, mas não é “da hora”. Está na hora que nós, como pais, sairmos dos quartos dos nossos filhos e deixemos que eles façam o negócio numa maneira que eles vão curtir e frutificar.
Sei que é complicado para muitos pastores confiar nos seus jovens de fazer um culto relevante e no estilo deles que também ia glorificar a Deus. Mas na boa, eu tenho dificuldade em confiar na maioria dos pastores que estão fazendo seus cultos numa maneira de glorificar a Deus e não para receber os elogios do povo. Nós somente temos que olhar para s temas das mensagens pregadas hoje em dia: prosperidade, alegria, o amor de Deus, e a falta de mensagens sobre a condição da alma do homem, inferno, e o pecado que tem achado lugar na maioria dos corações daqueles que se acha numa igreja todo domingo.
Eu acho que a questão maior tem a ver com controle e não com confiança, o medo de se eles vão errar ou não. Se nós achamos e esperamos que um dia os nossos jovens vão amadurecer e ser tudo que Deus quer, e que os grupos de jovens ligados com as igrejas vão crescer, nós como líderes temos que aprender a abrir mão de algo que não pertence a nós de qualquer jeito. Sim, nós somos responsáveis por cuidar e proteger aqueles que Deus tem confiado em nossas mãos, mas de ser o ditador deles ou Deus, nunca. Até nisso, nós temos que admitir que nossa maneira de fazer os cultos deles não tem dado muito certo. Talvez o problema não esteja com a geração, mas na maneira em que estamos oferecendo Jesus a eles. Talvez a maneira em que nós entendemos Deus e a bíblia não é relevante a eles. Talvez os cânticos que nos leva a chorar não faz nada para eles além de dar sono. Nós temos muito a ganhar e pouco a perder. Na verdade, quase tudo que podia ser perdido já foi e agora nós temos que ir atrás.
Não fique com medo de como seu filho vai decorar seu quarto. Você o treinou bem e ele não vai te decepcionar. E não se esquente sobre o som que ele escuta. Se a letra é de Deus, é de Deus. Não existe música cristã ou música secular. Música é música; são notas diferentes sendo tocados. O que existe são letras cristãs que glorificam a Deus e letras do mundo que não glorificam a Deus. O que faz a diferença é a letra que acompanham a música.
Essa é a idéia da 180. Não é de criar algo rebelde ou fora da cobertura da igreja, mas de dar de volta aos jovens o seu quarto e os deixar decorar ele na maneira que eles curtem. Chegou a hora de muitos pais expulsarem seus filhos do seu quarto. Eles precisam e querem um lugar deles, separado. Outros pais têm que sair do quarto dos seus filhos e parar de mexer lá fazendo tudo no seu jeito. Não há nada errado com jovens tendo seus próprios quartos, e um pai sábio vai entender isso, sempre lembrando que o quarto do seu filho ainda está na sua casa. Ele não saiu, ele simplesmente está crescendo e precisando de um espaço próprio.
sábado, 14 de junho de 2008
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Um comentário:
mano massa
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